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Ciência e tecnologia no mundo moderno

Raquel Teixeira

 

Rousseau dizia que tudo o que nos falta quando nascemos, e de que precisamos quando crescemos, nos é fornecido por meio da educação.

A educação é o processo pelo qual o ser humano adquire os conhecimentos, as competências, as habilidades e os valores que lhe permitirão uma inserção na vida adulta. Nas sociedades tribais, a simples convivência das gerações era suficiente para adquirir e adaptar a herança sociocultural. Bastava mergulhar na vida social e as crianças iam se preparando para a vida. Com a complexidade progressiva das sociedades, novas competências foram exigidas – a escrita, por exemplo. A memória já não era suficiente para guardar o conhecimento acumulado e a escola passou a ser o locus privilegiado para a sistematização e a transmissão do conhecimento.

Chegamos ao século XXI, o século do conhecimento. Até por volta dos anos 60 achava-se que capital e trabalho eram os reatores da economia, as forças geradoras de riqueza. Hoje sabemos que a qualidade dos homens e mulheres envolvidos nos processos de trabalho determina sua maior ou menor produtividade. A teoria do capital humano nos mostrou que há uma intrincada relação entre educação e desenvolvimento econômico.

Os países que perceberam que as pessoas são sua maior riqueza e investiram em educação hoje colhem os frutos deste investimento. Brasil, Coréia, Irlanda e Espanha eram países que nos anos 60 tinham índices socioeconômicos semelhantes. Hoje um abismo separa o Brasil dos demais. Se compararmos índices como renda per capita, analfabetismo, presença de jovens na universidade e bem-estar geral da sociedade imediatamente veremos que o Brasil ficou para trás.

A educação brasileira apresentou avanços nos anos 90: universalizou o acesso ao ensino fundamental; o ensino médio dobrou o número de matrículas; melhoraram os indicadores de eficiência do ensino, com queda progressiva da repetência e crescimento do número de alunos que concluem o ensino fundamental e o médio. No entanto, as pesquisas de avaliação de desempenho mostram que estamos longe de atingir o grau de qualidade desejado. Não estamos preparando nossos alunos para o enfrentamento do futuro.

No mundo globalizado em que vivemos, as economias emergentes – como a nossa – encontram-se frente aos avanços da ciência e da tecnologia como que diante do velho desafio da esfinge: “Decifra-me ou te devorarei”. Nenhuma economia contemporânea pode prescindir da inovação tecnológica, mola propulsora da produtividade industrial e agrícola. No fornecimento competitivo dos serviços de qualquer natureza, a inovação aparece igualmente como grande diferencial. O conhecimento aplicado passou a ser o principal fator de produção em detrimento do uso intensivo da energia dos recursos materiais ou da exploração do trabalho humano pouco qualificado.

Mais educação e de melhor qualidade, aberta para o mundo da pesquisa, da tecnologia e da inovação, são, de fato, precondições para inserção competitiva do País no mundo globalizado e do indivíduo no mercado de trabalho e na sociedade de transformação.

A modernidade portanto depende muito do compromisso de cada um de nós, individual e coletivamente, com a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação.

Este é o desafio. Goiás e o Brasil merecem.   

Fonte: Jornal Diário da Manhã

Raquel Teixeira
Professora, deputada federal e secretária de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás

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